The Old Guard: filme com Charlize Theron é aposta da Netflix

Filme foi dirigido por Gina Prince-Bythewood, primeira diretora negra a realizar uma produção baseada em histórias em quadrinhos (Foto: Divulgação)

Entre os recentes lançamentos da Netflix do gênero de ação como Esquadrão 6 e O Resgate, The Old Guard fica no meio. Entrega uma boa ação mesmo com problemas de desenvolvimento.

Assista ao trailer de The Old Guard, disponível da Netflix

CRÍTICA: THE OLD GUARD. Filmes de ação são sempre um bom entretenimento, quando acertam a dose entre porradas, tiros e uma boa história entregam ao público diversão de qualidade, mesmo quando recorrem a clichês. O problema é quando o roteiro tenta abraçar tudo isso sem aprofundar nada e acaba tornando uma bagunça que vai do ponto “A” ao ponto “B” sem sentido. The Old Guard, o novo filme da Netflix até diverte, mas de longe consegue seu desenvolvimento máximo. Adaptado das HQs de Greg Rucka e ilustrado por Leandro Fernandez, o filme conta a história de Andy, vivida por Charlize Theron (Mad Max-Estrada da Fúria) e seus três amigos, Nicky (Luca Marinelli), Joe (Marwan Kenzari) e Booker (Matthias Schoenaerts) guerreiros imortais que usam de suas habilidades, para ajudar a humanidade ao longo de conflitos e guerras.

Em mais uma missão a equipe tenta realizar um resgate de grupo de meninas que supostamente foram sequestradas no Sudão do Sul por um grupo de extremistas, mas caem em uma armadilha por um agente da CIA que está no rastro dos quatro soldados. Chiwetel Ejiofor (12 anos de Escravidão) interpreta o agente Coplay, um homem atormentado pela perda da esposa que está disposto a qualquer coisa para reverter o ocorrido. Ejiofor entrega uma atuação rasa, quase desinteressante e que mesmo depois de sua redenção traz pouco impacto. As motivações dos seus atos poderiam ter sido melhor desenvolvidas, mas acaba meio perdida, o que talvez até passasse despercebido se o roteiro não fizesse isso repetidas vezes tornando o filme em um recorte de histórias que tentam se conectar.

HQ de The Old Guard
Produção cinematográfica foi baseada na história em quadrinhos homônima de Greg Rucka (Foto: Divulgação)

Greg Rucka assina o roteiro e talvez esse seja o real problema, ao desenvolver a HQ ele tem espaço para contar em detalhes cada nuance da trajetória dos personagens, mas em um filme de duas horas fica claro que perde o foco. Logo quando você começa a se importar com um personagem e quer saber mais sobre ele, o roteiro muda de direção e chega a um ponto que você não se importa ou desiste de se importar.

Como ocorre com a história de Neil interpretada por Kiki Layne (Se a Rua Beale Falasse), uma jovem fuzileira que está em missão no Afeganistão e acaba envolvida com esse misterioso grupo, há tanto que poderia ter sido explorado sobre ela, mas fica resumido a umas poucas falas e fotos. Apesar de tudo isso Charlize Theron parece ter entendido bem sua personagem e entrega uma ótima “Andy”, compassiva e leal e também expõe o lado letal de uma guerreira com um passado misterioso. Entre Mad Max e Atômica, a atriz parece ter pegado o gosto pelo gênero e protagoniza belas cenas de ação com uma espécie de machado.

O ponto mais fraco da trama fica para Harry Melling que dá vida ao vilão Merrick, um jovem empresário de uma grande indústria farmacêutica. Melling é extremamente caricato, o ator escolhe uma atuação cheia de caras e bocas o que chega a ser cômico ainda que essa não seja a sua intenção. A sua motivação é fama e dinheiro, simples assim e ele deixa isso bem claro. A exploração das indústrias farmacêuticas a qualquer custo, que coloca os lucros acima da ética é tratada de forma rápida, mas direta.

Adptação cinematográfica de The Old Guard

Dirigido por Gina Prince-Bythewood, a cineasta que possui um currículo com vários dramas na bagagem faz sua estreia em um longa-metragem de ação, e acerta ao não deixar o ritmo cair, trabalha bem a câmera nas cenas de ação de modo que você consegue ver o que está acontecendo criando uma boa tensão mesmo quando a história se apresenta mais fraca. Bythewwod poderia ter explorado mais a narrativa fantástica que se apoia em acontecimentos históricos, como as cruzadas e a perseguição religiosa que resultou na caça às bruxas, faltou trazer um pouco mais dessa ambientação para tela, afinal é um mundo de guerreiros imortais, e justamente em um filme que combina ação e fantasia vemos tão pouco desse lado extraordinário. Ainda assim, faz com propriedade e sabe o que quer entregar e se torna a primeira diretora negra a dirigir um filme baseado em quadrinhos.

O longa tem potencial, mesmo com os problemas de roteiro quando resolve os conflitos rapidamente ou simplesmente não explica assuntos apresentados. Entre os recentes lançamentos da Netflix do gênero de ação como Esquadrão 6 e O Resgate, The Old Guard fica no meio. Sem precisar de explosões absurdas, como ocorre com o primeiro e consegue entregar um bom entretenimento assim como segundo. E é esse carisma que pode garantir que um segundo capítulo dessa história seja contado, o final dá dois ganchos, previsíveis, mas interessantes a ponto de nos instigar a querer ver mais desses heróis em ação.

Ficha Técnica

ANO DE LANÇAMENTO: 2020
GÊNERO: Ação/Fantasia
PAÍS: Estados Unidos
DIREÇÃO: Gina Prince-Bythewood
ROTEIRO: Greg Rucka
ELENCO: Charlize Theron, Kiki Layne, Mathias Schoenaerts, Chiwetel Ejiofor, Luca Marinelli, Marvwan Kenzari e Harry Melling.
ONDE VER: Netflix

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