Roberto Ribeiro: uma das mais belas vozes do samba

Roberto Ribeiro completaria 80 anos em julho

Roberto Ribeiro completaria 80 anos neste mês de julho (Foto: Reprodução

Uma das preciosidades criadas pelo inspirado letrista Délcio Carvalho (1936-2013) e Dona Ivone Lara (1922-2018), melodista sem igual, a canção “Acreditar” estourou em 1976 na voz inconfundível de Roberto Ribeiro, que na segunda-feira, 20 de julho, completaria 80 anos. Infelizmente, vítima de atropelamento, partiu para o andar de cima em janeiro de 1996, deixando saudade entre aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo no auge da carreira.

Com a graça de Deus, fui um deles. Mais de uma vez, encontrei-o em Madureira, na quadra da escola de samba do meu coração Império Serrano, onde ele era presença constante. E nem podia ser diferente, pois Roberto Ribeiro foi o intérprete de muitos enredos que a agremiação da Serrinha apresentou nos carnavais entre 1971 e 1981.

Início

Nascido Dermeval Miranda Maciel, em Campos dos Goytacazes (RJ), na época em que o município não tinha exploração de petróleo nem fazia parte do feudo da família Garotinho, desde criança gostava de futebol e samba.

Chegou a ser profissional da bola e, depois de passagens por equipes amadoras (Cruzeiro e Rio Branco), foi goleiro do Goytacaz Futebol Clube. Apelidado de “Pneu”, em 1965 resolveu tentar a sorte na Rio de Janeiro, onde chegou a treinar no Fluminense. Como não vingou entre as quatro linhas, migrou para a música e adotou o pseudônimo Roberto Ribeiro. Uma apresentação no programa “A Hora do Trabalhador’ despertou o interesse da compositora Liette de Souza, que viria a ser sua esposa.

Foi ela, aliás, quem o levou para a escola Império Serrano, onde Roberto logo se enturmou. Aos poucos ganhou espaço e foi convidado a interpretar o samba de 1971, de Heitor, Maneco e Wilson Diabo, no enredo “Nordeste, seu povo, seu canto, sua gente”. Afastado nos dois anos seguintes, voltou à avenida em 1974 e ficou até 1981. Merecem destaque “Brasil, Berço dos Imigrantes”, de 1977 (em parceria com o cunhado Jorge Lucas), e “Municipal Maravilhoso, 70 Anos de Glórias”, de 1979 (com Jorge Lucas e Edson Passos).

Compactos

Sua carreira como cantor ganhou impulso a partir de 1972 com gravações de três compactos com a diva Elza Soares pela Odeon. Satisfeito com o sucesso dos compactos, o selo editou o LP “Elza Soares e Roberto Ribeiro – Sangue, Suor e Raça”. No ano seguinte, Roberto gravou um LP, “Simone & Roberto Ribeiro – Brasil Export 73 Agô Kelofé”, junto com a Simone, exclusivamente para o mercado externo.

Naquele mesmo ano de 1973, ele gravou o primeiro álbum solo, “Roberto Ribeiro”. Em 1975, a mesma gravadora lançou o compacto duplo “Sucessos 4 sambas”, no qual Roberto interpretou “Leonel/Leonor” (de Wilson Moreira e Neizinho). Ainda neste ano, foi lançado o disco “Molejo”, que despontou com os sucessos “Estrela de Madureira” (de Acyr Pimentel e Cardoso) e “Proposta amorosa” (de Monarco) e chamou a atenção da crítica. No ano seguinte, foi lançado “Arrasta Povo”, LP que destacou mais dois grandes sucessos nas rádios de todo o Brasil: “Tempo Ê” (de Zé Luiz e Nelson Rufino) e “Acreditar” (de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho).

Mais vendidos

Gravou em 1977 o LP “Poeira Pura”, onde se destacou “Liberdade” (de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho). Um ano depois, foi lançado o álbum “Roberto Ribeiro”, que o colocou outra vez nas lista dos discos mais vendidos, puxado pelos sucessos “Todo menino é um rei” (de Nelson Rufino e Zé Luiz), “Amei demais” (de Flávio Moreira e Liette de Souza), “Isso não são horas” (de Catoni, Chiquinho e Xangô da Mangueira) e “Meu drama (Senhora tentação)” (de Silas de Oliveira e J. Ilarindo) – incluída também na trilha sonora da novela “Pai Herói”, da Rede Globo.

Ainda no auge, em 1979, foi a vez do lançamento do LP “Coisas da Vida”, que teve entre as mais tocadas “Vazio” (de Nelson Rufino), também conhecida na época como “Está faltando uma coisa em mim”, e “Partilha” (de Romildo e Sérgio Fonseca).

1980

No início da década de 1980, Roberto gravou “Fala meu povo”. Neste LP, constavam algumas composições de sua autoria como “Vem” (parceria com Toninho Nascimento) e sucessos como “Só chora quem ama” (de Wilson Moreira e Nei Lopes) e “Quem lucrou fui eu” (Monarco). Em 1981, foi lançado o disco “Massa, raça e emoção”, com o sucesso “Santa Clara Clareou” (de Zé Baiano do Salgueiro).

Em 1983, foi lançado o disco “Roberto Ribeiro”, com o sucesso “Algemas” (parceria com Toninho Nascimento). Em 1984, no seu LP “De Palmares ao tamborim”, obteve êxito com “Lágrima Morena” (outra parceria sua com Toninho Nascimento). Naquele ano participou do disco “Partido alto nota 10”, de Aniceto do Império, no qual interpretaram em dueto a faixa “Chega Devagar”, de autoria de Aniceto.

Roberto Ribeiro teve um grande problema nos olhos que atrapalhou sua carreira no samba
Um grave problema nos olhos complicou a carreira desse grande cantor, que perdeu boa parte da visão (Foto Reprodução)

Em 1985, chegou ao mercado o LP “Corrente de Aço”, que contou com a participação de Chico Buarque de Hollanda na música “Quem te viu, quem te vê” (do próprio Chico) e de Nei Lopes, em “Malandros maneiros” (Nei Lopes e Zé Luiz). Em 1987, gravou o disco “Sorri pra Vida”, obtendo sucesso com a faixa “Ingrata Paixão” (de Mauro Diniz, Adílson Victor e Ratinho) e, um ano depois, “Roberto Ribeiro”, que contou com a participação especial de Alcione na faixa “Mel pra minha dor” (de Nelson Rufino e Avelino Borges) e do Grupo Raça, em “Malandro mais um” (de Ronaldinho e Carlos Moraes).

A partir daí, um grave problema nos olhos complicou a carreira desse grande cantor, que perdeu boa parte da visão. Sua vida foi contada em livro de autoria da esposa, Liette de Souza Maciel, com o título “Dez anos de saudade” (Potiguar Editora).

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