Greyhound: novo filme do Tom Hanks agrada pela simplicidade

Tom Hanks em cena do filme Grayhound

Com uma vasta experiência em produções que tratam sobre guerra, Tom Hanks se aventura como roteirista e também atua em seu novo longa-metragem “Greyhound: Na Mira do Inimigo” (Foto: Divulgação)

Greyhound – Na mira do inimigo” aposta na ação no meio do Atlântico para não cair no clichê dramático dos filmes de guerra

Tom Hanks atua e e foi responsável pelo roteiro do filme Grayhound
O roteiro do filme é adaptado do romance de C.S Forester “O Bom Pastor”, que conta a história de um comandante da marinha americana em sua primeira grande missão (Foto: Divulgação)

É de conhecimento geral dentro da indústria cinematográfica o interesse do ator Tom Hanks, por produções com temáticas de guerra. Em 1998 o ator protagonizou o premiado “O Resgate do Soldado Ryan” dirigido por Steven Spielberg, sucesso de crítica e público. A parceria deu tão certo que em 2001 os dois se reuniram e produziram a minissérie “Band of Brothers” (Irmãos de Guerra). A série foi outro sucesso estrondoso e mais uma vez arrebatou o público e Hollywood, mas a dupla parou por aí. Em 2010 mais uma minissérie comandada por Spielberg e Hanks se tornaria um sucesso, “The Pacific”, e novamente constatou a força da dupla. Anos depois os dois continuariam a parceria em “Pontes de Espiões”.

Agora com uma vasta experiência em produções que tratam sobre guerra, Tom Hanks se aventura como roteirista e também atua em seu novo longa-metragem “Greyhound: Na Mira do Inimigo”. O roteiro adaptado do romance de C.S Forester “O Bom Pastor”, conta a história de um comandante da marinha americana em sua primeira grande missão, onde o Capitão Ernest Krause atravessa o Atlântico sob o risco de ataques de submarinos alemães, ao comandar uma escolta que defende navios mercantes, com suprimentos e tropas até a Grã-Bretanha no início de 1942. Hanks ao escrever o roteiro deixa claro que seu foco não é no drama dos personagens, mas na batalha que está por vir. Não há muitas falas, as palavras que são ditas são os comandos que enfatizam as decisões de seu personagem e que funciona nas cenas de ação.

O diretor Aaron Schneider (Segredos de um Funeral) escolhe apresentar rapidamente Ernest Krause e seu interesse amoroso, Evelyn (Elisabeth Shue). Com exceção de sua religiosidade que serve como uma bússola na hora do Capitão tomar decisões, não há um aprofundamento dessa relação ou qualquer outra coisa a respeito do personagem. Hanks está bem em mostrar a vulnerabilidade de um Capitão que estava prestes a se aposentar, até que se vê comandando um navio que tem uma grande importância no percurso da guerra e dos aliados. A inexperiência de Ernest Krause é completamente esquecida na maneira como ele lida na hora da pressão, demonstrando determinação e isso se traduz nos momentos em que o ator mantém o olhar vago antes de algum comando.

Tom Hanks e Steven Spielberg no set de gravação
Tom Hanks atuou em diversas produções do gênero do diretor Steven Spielberg (Foto: Reprodução)

O público é rapidamente imerso no confronto. A primeira ameaça não demora a surgir quando a frota passa por um ponto sem proteção aérea conhecida como “Black Pit” algo como buraco negro, são cerca de 4 dias até que novamente eles tenham reforços. Não há tempo para conhecer a história de ninguém, mesmo porque a cada troca de turno, surge um novo marinheiro que torna quase impossível de guardar o nome da cada um, como mostrado pelas ações do personagem principal. Fazer a travessia e enfrentar o inimigo é o único objetivo, por isso a escolha de um começo vertiginoso. A opção em focar no conflito ajuda a dar ritmo ao filme. É fácil prender a respiração a cada torpedo lançado Funciona graças a trilha sonora que sobe o tom a cada vez que soa um apito, que é dada uma ordem ou um vislumbre do inimigo. A composição é de Blake Neely e foi essencial para cada tomada da batalha, que só desacelera para honrar os mortos. É exatamente essa combinação que faz o longa interessante, não há sangue “jorrando” ou cenas gráficas para chocar, o diretor aposta nesse frenesi para segurar o público em meio a saturação no gênero.

Schneider escolhe mostrar o inimigo, submarinos nazistas, com pequenas aparições e vez ou outra na interferência do rádio com discursos ameaçadores, essa decisão faz com que todo o foco fique na superfície e nas decisões do Capitão, como salvar homens ao mar ou seguir o mais rápido possível e ajudar outro navio. Aaron Schneider peca ao não mostrar a batalha através de outros ângulos, o público só vê através dos olhos de Krause e todos os outros são coadjuvantes dessas ordens; quase inexistentes dentro de um navio como o Greyhound. No geral é um bom filme que vale a uma hora e meia de tensão e explosões, poderia ter ido muito além, mas para aquilo que é proposto, mostrar uma batalha no Atlântico, tem um bom resultado.

Lançado pelo serviço de streaming Apple TV+, Greyhound: Na Mira do Inimigo tinha a estreia prevista nos cinemas em 12 de junho de 2020 pela Sony Pictures, que chegou a pensar na possibilidade de adiar o longa-metragem, mas posteriormente os seus direitos de distribuição foram vendidos e o filme lançado digitalmente. Teria sido interessante ver nos cinemas, principalmente pela edição de som e mixagem.

Ficha Técnica

ANO DE LANÇAMENTO: 2020
GÊNERO: Guerra
PAÍS: Estados Unidos
DIREÇÃO: Aaron Schneider
ROTEIRO: Tom Hanks
ELENCO: Tom Hanks, Elisabeth Shue, Stephen Graham, Rob Morgan e Lee Norris
ONDE VER: Apple TV+

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