Cineasta prepara primeiro longa-metragem

Casa de Antiguidades é o nome do primeiro longa-metragem do cineasta João Paulo Miranda Maria - Foto: Pandora Filmes

Casa de Antiguidades, primeiro longa do cineasta João Paulo Miranda Maria, está em fase de pós-produção. Da França, o realizador atendeu a reportagem, e falou sobre a produção, além de enfatizar que a arte deve propor reflexão e ser resistência

Na pós-produção do seu primeiro longa-metragem, da França, o cineasta premiado João Paulo Miranda Maria falou à Revista EFE sobre seu trabalho intitulado Casa de Antiguidades, destacou o papel do cinema como instrumento de reflexão e reforçou sua inspiração em personagens reais pouco notados ou ignorados pela sociedade.

O filme, ainda sem previsão de lançamento, mas com distribuição garantida para o território brasileiro em salas de cinema, conta a história de Cristovam, interpretado pelo grande ator tupiniquim Antonio Pitanga.
O enredo narra a saga do “‘caipira’ que busca em outras terras melhores condições de trabalho. No entanto, o contraste cultural e étnico faz com que ele sofra com a solidão e o preconceito dos moradores locais, resultando na perda da razão e lucidez.

O roteiro foi desenvolvido em uma residência do Festival de Cannes e as gravações duraram quatro semanas na cidade de Treze Tílias, em Santa Catarina. “As filmagens duraram quatro semanas, porém são anos de desenvolvimento de roteiro e vários meses de pós-produção. Realmente o processo é longo e bastante complexo”, explica o fundador do grupo Kino-Olho em Rio Claro e criador do movimento Cinema Caipira.

O cineasta fundador do Grupo Kino-Olho em Rio Claro, João Paulo Miranda Maria Foto: Pandora Fimes

O realizador disse que a edição sonora está sendo feita no Brasil e que deve vir ao país no primeiro semestre de 2020 para acompanhar o trabalho.
Observador de personagens ao seu redor e que sofrem as consequências por não se adaptarem à sociedade, João Paulo aborda temas como o racismo e intolerância na obra e lembra de sua vivência em Rio Claro. “Sempre chamei de uma espécie de Cinema Caipira, falando do suposto torto e fora da moda. Mesmo sendo um filme que filmei fora da cidade de Rio Claro, muito da minha vivência e sentimentos passados na cidade estarão presentes na tela”, enfatiza.

MÍTICO

Quem conheceu os curtas realizados em Rio Claro quando o cineasta residia na cidade, vai lembrar dos elementos míticos que utilizava em seus filme-ensaios, além de seu trabalhar com o que não estava na tela. Ele garante que esses conceitos adquiridos tomaram proporções ainda maiores na nova obra. “Digo que este filme toma uma dimensão épica e até espiritual, onde começamos a crer em algo que não vemos na tela, mas o pressentimos”, comenta.

Antonio Pitanga protagoniza o filme Casa de Antiguidades – Foto: Pandora Filmes

RESISTÊNCIA

Questionado se acredita que a arte é um ato de resistência, foi enfático: “sim”. Para o realizador, natural de Porto Feliz, a arte é a exceção. “O ato singular de visão sobre o mundo. Não podemos esquecer que o objetivo da arte é a reflexão e não agradar como uma simples decoração”, argumenta.

INTOLERÂNCIA

João Paulo afirma que os temas relativos à intolerância, preconceito e racismo são retratados no filme e que é preciso abordar estes assuntos, sobretudo na atual conjuntura social. “Precisamos falar mais sobre intolerância e como diferentes preconceitos são evidenciados hoje em dia. Tanto em questão de cor de pele, origem social ou mesmo territorial. Meu filme abordará todas e mostrará o embate numa sociedade perdida no tempo, em que visões antiquadas e preconceituosas voltam à tona e alguém precisa enfrentar tudo isto”, esclarece.

ELENCO

Além de Pitanga, Casa de Antiguidades tem ainda no elenco o belga Sam Louwyck (“Cargo”), Ana Flávia Cavalcanti (“Corpo Elétrico”), Aline Marta Maia (“Serial Kelly”) e Gilda Nomacce (“As Boas Maneiras”). A direção de fotografia é de Benjamín Echazarreta, fotógrafo de “Uma Mulher Fantástica”, longa vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e a montagem é de Benjamin Mirguet (“Batalla En El Cielo”).

Co-produção Brasil/França

O filme Casa de Antiguidades é coproduzido pela produtora brasileira Bossa Nova Films e pela francesa Maneki Films e conta com distribuição no Brasil pela Pandora Filmes. Teve o roteiro desenvolvido pelo próprio cineasta João Paulo Miranda Maria na Residence de Cannes – Cinéfondation, com a supervisão de Miguel Machalski (“Los Perros” e “O Verão dos Peixes Voadores”).

O longa tem apoio e patrocínio do FSA (Fundo Setorial do Áudiovisual), CNC (Centre Nacional du Cinema – FR) e Hubert Bals Fund. João Paulo é ganhador de diversos prêmios, entre eles, o prêmio Especial do júri no Festival de Cannes pelo filme “A Moça que dançou com o Diabo” (2016).

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