Cinco filmes essenciais do diretor de cinema Tim Burton

Edward Mão de Tesoura é uma das obras mais lembradas do diretor de cinema Tim Burton (Foto: Divulgação)

Com sua assinatura gótica e única, o diretor, produtor e roteirista Tim Burton se tornou uma lenda dos filmes cults do entretenimento cinematográfico

Tim Burton completa 62 anos
(Foto: Reprodução)

Essa semana um dos maiores cineastas de Hollywood completou 62 anos. Tim Burton! Nascido no estado da Califórnia, cursou animação e um de seus primeiros trabalhos foi nos estúdios Disney. Uma lenda do cinema mundial, o diretor tem uma trajetória de sucesso que dura mais de 30 anos e coleciona no currículo as funções de roteirista e produtor. Conhecido pela estética gótica, gosta de brincar com as proporções nos set’s de filmagem e claro, usa dos efeitos visuais que dão uma característica única em seus filmes, mas sem esquecer dos efeitos práticos. Burton mexe com o imaginário, com as cores apesar de abusar do tom sombrio e com a fantasia em suas obras sem medo do exagero. É graças a fantasia que ele pode explorar ideias, mundos diferentes e fazer releituras.

Outro traço marcante de seus filmes é a maquiagem, seguindo a estética lúgubre e fúnebre de rostos pálidos sempre enfatizando os olhos. Se tornou quase um padrão, mesmo nas animações como O Estranho Mundo de Jack de 1993, um de seus primeiros sucessos em que esteve envolvido como roteirista e produtor e com certeza o ajudou a desenvolver o excelente A Noiva Cadáver de 2005. Os personagens também levam esse aspecto como o Pinguim (Denny DeVito) de Batman: O Retorno de 1992 e o Chapeleiro Maluco (Johnny Deep) de Alice no País das Maravilhas de 2010. E falando em Jonny Deep, ator e diretor protagonizam uma das maiores parcerias em Hollywood, tendo trabalhado juntos em cerca de oito produções. Aliás, Burton parece gostar de trabalhar sempre com determinados nomes, que acabam sendo recorrentes em suas produções como Michael Keaton, Chistopher Walken e Helena Bonham Carter.

Apesar do apelo visual tão soturno, segue sendo um dos queridinhos de todas as idades encantando gerações. Para celebrar o aniversário do renomado diretor, separei uma lista com 5 filmes que amo da filmografia de Burton e acredito que todo mundo deveria ver, e que expressam bem suas características. Isso não quer dizer que seus outros trabalhos não sejam bons, mesmo porque ninguém acerta sempre e assim como qualquer outra pessoa que trabalhe com cinema há produções de sucesso e outras nem tanto! Mas, vamos focar não só nos clássicos que são muito bons, além e um não tão queridinho assim, para entender um pouco desse universo gótico de Tim Burton.

A Noiva Cadáver

A Noiva Cadáver, filme dirigido por Tim Burton
(Foto: Divulgação)

Esta animação em stop motion de 2005 conta a história de Victor (Johnny Deep), um jovem prestes a se casar com uma moça aristocrata. Seu nervosismo o leva até a floresta para treinar os votos do casamento colocando a aliança no que parece ser um galho seco, quando se depara com o braço de Emily (Helena Bonham Carter). Uma noiva que foi assassinada quando tentou fugir com o seu verdadeiro amor, Convencida de que foi pedida em casamento Emily leva Victor para o mundo dos mortos. Preso entre os dois mundos o jovem tenta salvar a noiva que está viva e ajudar Emily encontrar a paz.

Co-dirigido com Mike Johnson, mais focado na montagem e se alinhar com as ideias de Burton, este é um dos filmes mais divertidos dentro da proposta de mundo do diretor. Canções emocionantes e personagens marcantes, como os pais da noiva que está viva Victoria (Emily Watson) e os pais do noivo, interesseiros, soturnos e grosseirões que contrastam com a personalidade do jovem noivo atencioso e de Emily a noiva cadáver tão, melancólica. Um roteiro capaz de mexer com os sentimentos do público, fala sobre sociedade, amor e claro, vida e morte. A fotografia é excepcional e muda conforme os mundos são apresentados, nesse caso o mais brilhante e colorido é o mundo dos mortos, cheio de criaturas cativantes. Indicado ao Oscar de melhor animação em 2006 é fácil de agradar adultos e crianças, um desenho que merece ser visto e revisto.

Ficha Técnica

ANO DE LANÇAMENTO: 2005
GÊNERO: Animação/Fantasia
PAÍS: Estados Unidos/Reino Unido
DIREÇÃO: Tim Burton e Mike Johnson
ROTEIRO: Tim Burton, Carlos Grangel e Caroline Tompson
ELENCO: Johnny Deep, Helena Bonham Carter, Emily Watson, Trace Ullman, Richard E. Grant, Christopher Lee e Albert Finney.
ONDE VER: Netflix

Edward Mãos de Tesoura

Edward Mãos de Tesoura é um dos clássicos de Tim Burton
(Foto: Divulgação)

Esse possivelmente é um dos filmes mais conhecidos de Tim Burton. Se você cresceu nos anos 90, deve se lembrar que este longa era exibido de tempos em tempos na “Sessão da Tarde”. Rever este clássico tem um toque de nostalgia. O roteiro faz uma releitura do conto Frankenstein de uma maneira sombria como sua obra original, mas com uma sofisticação e nuances de conto de fadas. A escolha de uma narradora enfatiza isso para o público. Na trama, um jovem idealizado de carne e osso, mas artificial, criado por um inventor que vem a falecer antes de poder terminar sua obra. Sozinho em uma mansão que fica numa colina afastada de uma pequena cidade, Edward que não tem nenhuma das mãos, possui no lugar delas enormes tesouras que em um primeiro momento chegam a ser assustadoras. Sua reclusão é interrompida quando uma vendedora de cosméticos Peg Boggs (Dianne Wiest) vai até à mansão e se compadece do jovem, o levando para casa. No bairro ele se torna uma novidade até que surgem problemas com o namorado de sua filha mais velha, e com alguns vizinhos.

O filme é pura fantasia, mas trata de assuntos sérios como aceitação, estereótipos e empatia. É interessante ver a assinatura gótica do diretor, que ao invés de usar as cores pesadas como preto e cinza para trazer o lado sombrio do longa-metragem, usa de cores berrantes como amarelo, roxo e verde (assim como faz em A Noiva Cadáver). Os cenários têm uma estética que brinca com as proporções e minimalismo em algumas cenas e lembra os anos 60 e o seu moralismo americano. Tudo é uma representação do que seria aceitável em uma sociedade, mas, no fundo é cheio de artificialidade e hipocrisia. Já Edward e sua mansão são retratados com tons sombrios e representam a inocência e o que há de mais puro, o amor sem querer algo em troca. Uma crítica social sutil e poética, mas incisiva em forma de excentricidade.

Esse é o primeiro trabalho de Tim Burton com o ator Johnny Deep, que está excelente no papel de Edward. O filme conta também com a atuação de Winona Ryder como Kim Boggs, que passa ser o interesse amoroso da criatura. Ryder consegue passar aquele ar inocente e rebelde adolescente, que aos poucos amadurece e vê mais que a aparência. O final, delicado que ressalta o romance é ainda mais emocionante, mas sem perder o tom assustador de uma maneira peculiar. E a mistura do terror, da fantasia e do drama torna essa obra única, mesmo entre os filmes de Burton. Edward Mãos de Tesoura é atemporal.

Ficha Técnica

ANO DE LANÇAMENTO: 1990
GÊNERO: Fantasia/Drama/Romance
PAÍS: Estados Unidos/Reino Unido
DIREÇÃO: Tim Burton e Mike Johnson
ROTEIRO: Tim Burton e Caroline Tompson
ELENCO: Johnny Deep, Winona Ryder, Dianne Wiest, Kathy Baker, Conchata Farrel e Vincent Price
ONDE VER: Você pode alugar na Apple TV ou no Google Play

Batman e Batman : O Retorno

Batman de Tim Burton
(Foto: Divulgação)

Sim, para quem não se lembra Tim Burton dirigiu dois filmes do homem morcego: Batman de 1989 e Batman: O Retorno de 1992. É considerado por muitos, críticos e fãs, uma das melhores adaptações cinematográficas do herói, sendo um dos primeiros filmes desse universo dos quadrinhos, antes de DC e Marvel sequer imaginarem lucrar absurdamente com seus super-heróis. O primeiro filme foi praticamente um choque pelo tom extremamente sombrio, uma Gotham City escura e suja mergulhada no crime que muitas vezes era retratada nas HQ’s, mas que até então ninguém tinha ousado realizar. As séries de TV que haviam ido ao ar em 1943 e 1949 de longe se parecia com os filmes de Burton, com uma representação muito mais leve e cômica.

O diretor acerta ao escolher para esse primeiro momento um dos vilões mais icônicos, o Coringa, que é interpretado por ninguém menos do que Jack Nicholson. Sendo este no longa um gângster chamado Jack Napier, que deseja comandar o mundo do crime e acaba caindo em uma substância química se tornando o temido vilão. Essa é uma das interpretações mais aclamadas do ator, com várias indicações de melhor ator coadjuvante incluindo o Globo de Ouro. Nicholson retrata bem a mente maníaca do personagem e a loucura. A cena em que aparece pela primeira vez como o Coringa é marcada por uma fotografia escura contrapondo com a maquiagem forte e deformada. Há também o humor negro característico da personalidade do vilão. O filme segue com a luta entre Batman e um de seus maiores inimigos. Com tons de violência e cheio de mortes, apresenta também a degradação da sociedade de Gotham em muitas vezes em aceitar as atitudes do Coringa por ganância. O herói segue na tentativa de salvar a cidade do temido psicopata.

Batman - O Retorno de Tim Burton
(Foto: Divulgação)

Já no segundo filme, Burton traz dois personagens conhecidos pelo público das HQ’s, o Pinguim vivido por Danny DeVito e a Mulher Gato interpretada pela atriz Michelle Pfeiffer. Nessa sequência o filme consegue ser ainda mais gótico do que o primeiro, abusando de uma fotografia mais escura e uma maquiagem ainda mais repugnante. Os dois vilões dominam o longa, e trazem em evidência o submundo de Gotham, forçando Batman a enfrentar ainda mais violência para salvar os cidadãos de sua cidade. DeVito caracterizado de Pinguim é irreconhecível e quase nojento em muitas cenas, e é perfeito ao mostrar a obsessão do homem, que vive no esgoto, em viver em sociedade em busca aceitação. Já Pfeiffer é extremamente sexy em uma roupa de couro toda colada ao corpo, mas mais do que o apelo sexual a atriz é certeira em sua interpretação de uma mulher psicótica que perde suas restrições quando se torna a Mulher Gato.

O cineasta teve ainda mais liberdade criativa no segundo filme, já que o primeiro tinha sido um sucesso de bilheteria e critica. Ele eleva a estranheza e excentricidade em tela. A cena em que o Pinguim sangra pela boca um líquido espeço e negro é no mínimo uma das mais asquerosas e lembradas do filme. Nos dois longas Michael Keaton interpreta o homem morcego. No início ninguém levara muito a sério a escalação do ator que vinha de uma sequência de comédias, mas este conseguiu mostrar um Batman sério, misterioso e ágil. Um feito enorme para Keaton se considerar a roupa que foi usada, que praticamente o impedia de virar o pescoço. Somado a mitologia que cerca o personagem, Batman: O Retorno é sem dúvida um dos melhores filmes feitos por Tim Burton.

Ficha Técnica

BATMAN
ANO DE LANÇAMENTO: 1989
GÊNERO: Fantasia/Ação/Aventura
PAÍS: Estados Unidos/Reino Unido
DIREÇÃO: Tim Burton
ROTEIRO: (Bob Kane- personagens) Sam Hamm e Warren Skaaren
ELENCO: Michael Keaton, Jack Nicholson, Kim Basinger, Michael Gough e Jack Palance
ONDE VER: HBO GO

BATMAN: O RETORNO
ANO DE LANÇAMENTO: 1992
GÊNERO: Fantasia/Ação/Aventura
PAÍS: Estados Unidos/Reino Unido
DIREÇÃO: Tim Burton
ROTEIRO: (Bob Kane- personagens) Sam Hamm e Daniel Waters
ELENCO: Michael Keaton, Dany DeVito, Michelle Pfeiffer, Christopher Walken e Michael Gough,
ONDE VER: HBO GO

Alice No país das Maravilhas

Alice no País das Maravilhas de Tim Burton
(Foto: Divulgação)

Alice já teve várias adaptações, sendo a mais conhecida a animação da Disney de 1952. Esse live action também dos estúdios Disney foi lançado em 2010 e apostava mais uma vez na história da menina curiosa, em busca do mundo fantástico que uma vez encontrou na infância. O filme funciona como uma continuação do desenho lançado pelo estúdio nos anos 50 e remodela o enredo tão conhecido pelo público. Aqui Alice mais velha, está cansada da sociedade britânica em que vive e deseja desesperadamente retornar ao mundo das Maravilhas para mais aventuras.

O longa foi um sucesso de bilheteria, uma das maiores do cineasta, apesar disso os fãs mais aficionados de Burton dizem ser o filme mais sem graça do diretor. A crítica especializada também não morreu de amores e o excesso de CGI (imagens geradas por computador e em 3D) foi como um balde de água fria para quem estava acostumado a ver os universos criados por Tim. Mas se esse filme não é uma das obras mais marcantes do diretor por que está nessa lista? Apesar da recepção negativa por parte daqueles que lotaram os cinemas, é interessante ver esse profissional se reinventar sem medo de fazer algo diferente. A sua assinatura ainda está lá, na maquiagem e nas cores usadas na fotografia e nas proporções, a diferença é que muito disso foi gerado por computador do que por efeitos práticos.

Tim Burton aos poucos foi se reapresentando para uma nova geração, como sempre causando estranheza como em A Fantástica Fábrica de Chocolate de 2005 e o musical Sweeney Tod: O Barbeiro Demoniaco da Rua Fleet de 2007. O primeiro é deplorável e o segundo apesar de ser muito bom tem um tema mais adulto, por isso Alice flutua entre os filmes bons e os que são preferíveis esquecer que atingem o grande público. De um certo modo agradou e encantou milhares de crianças, ganhando mais duas sequências sem Burton no projeto. Mas, caso queira ver outros títulos de tirar o folego desse diretor sensacional vale a pena ver ou em qualquer caso rever A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça e Os Fantasmas se Divertem.

Ficha Técnica

ANO DE LANÇAMENTO: 2010
GÊNERO: Fantasia/Aventura
PAÍS: Estados Unidos/Reino Unido
DIREÇÃO: Tim Burton
ROTEIRO: Linda Woolverton (Lewis Carroll autor do livro original)
ELENCO: Mia Wasikoska, Johnny Deep, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Michael Sheen, Alan Rickman e Timothy Spall,
ONDE VER: PRIME VIDEO

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