O cinema como instrumento para o movimento negro

Filme Branco Sai, Preto Fica representa a luta do movimento negro

Branco sai, Preto fica é um filme inteligente em sua abordagem para contar uma história sobre a diferença na atuação da polícia nas comunidades

Com a temática dos movimentos sociais raciais em alta, o cinema vira bússola para entender o movimento negro e entreter

Cultura é a manifestação de um povo. Suas características, hábitos, crenças e contexto social. Reflete o anseio de cada geração diversa e plural, que tem o direito à liberdade para se expressar de diversas formas. É importante o estímulo de pensamentos críticos do nosso cotidiano. A cultura é necessária. Quando essa manifestação cultural é considerada “fora dos padrões” tende a ser marginalizada e desumanizada. E é fundamental quebrar barreiras e educar a sociedade, que o que vem do gueto, também é bonito e de qualidade. Nesse contexto do movimento negro, iniciativas como o Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), que surgiu em 2012, com o assassinato do jovem Trayron Martin no estado da Florida por um policial branco, gerou indignação e protestos contra a violência policial. Anos depois mortes como a de Trayron continuam ocorrendo. Nos Estados Unidos como no caso de George Floyd ou aqui no Brasil com o assassinato do jovem João Pedro, reacendendo a necessidade da importância na luta dos direitos humanos e raciais. Com as discussões pipocando nas conversas entre amigos e online, os filmes são um dos meios mais populares na hora em que as pessoas buscam histórias para aprender, ou mesmo se entreter, e tentam entender o que está acontecendo nas ruas do mundo inteiro. É natural do ser humano. No início da pandemia do coronavírus um dos filmes mais procurados nas plataformas de streaming foi “Contágio”, que retrata uma pandemia causada por um vírus mortal.

O cinema tem essa capacidade de comunicação, uma forma de entretenimento que ajuda a contar um pouco mais da história da humanidade e da cultura negra, para que as vitórias e dores não sejam apagadas. Mas nem sempre agrada, e é aí que está a maravilha da coisa toda, se é possível errar também é possível acertar. Hollywood é o termômetro da indústria cinematográfica mundial, é lá que o reconhecimento se tornou um parâmetro. Veja bem, há cinema de qualidade acontecendo no mundo todo, inúmeros festivais e premiações. Mesmo em uma cidade do interior do Estado de São Paulo, Rio Claro, há cineastas e atores de alto padrão, que têm sido reconhecidos cada vez mais pela comunidade cinematográfica internacional, mas as principais referências ainda se concentram na indústria norte-americana.

Movimento negro

Filmes que lidam com temáticas sociais e políticas tendem a ser problemáticos. Entenda que em qualquer gênero vai haver contrariedades na hora de transpor isso em tela, mas nesse caso a obra, direção, roteiro deve fazer jus sem a necessidade de enxovalhar e subverter toda uma causa em entretenimento barato. Infelizmente Hollywood é especialista nisto. Em 2016 a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, enfrentou críticas do público, atores e produtores, pela falta de diversidade nos indicados em atuação e nas categorias técnicas. Surgiu então a hashtag #OscarSoWhite. Naquele ano, filmes como Straight Outta Compton: A História do N.W.A. com um elenco predominante negro e Creed: Nascido para Lutar, com Michael B. Jordan como ator principal, foram completamente ignorados pelos votantes, que é composto em sua maioria de homens brancos. E premia filmes que são no mínimo duvidosos e tem a tendência de indicar atores negros quando estes estão em papeis, como escravos e serventes.

Como no caso atriz Lupita Nyong’o que ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2014 ao interpretar uma escrava em 12 anos de Escravidão, mas foi ignorada pela excelente atuação em um papel principal de uma mulher forte em Nós na última edição. Aliás, 2019 foi outro ano extremamente criticado pela falta de diversidade, a única atriz negra lembrada foi Cynthia Erivo, pelo papel de uma escrava em Harriet. É essencial que haja espaço para protagonismo de atores negros, ou quaisquer outras etnias, sem que sejam subjugados ou transformados em coadjuvantes de suas próprias histórias. Que possam ser contadas de maneira digna, e que essa diversidade se estenda a produção. Nos Estados Unidos um dos filmes mais buscados na Netflix, plataforma de streaming, foi Histórias Cruzadas, gerando diversas discussões na internet sobre quais obras consumir, em uma nova ebulição do movimento Black Lives Matter.

Para entender

A ideia aqui não é dizer o que você deve ou não assistir, acredito que seja de extrema importância ver tudo e qualquer coisa. Exatamente para que todos consigam ter um olhar crítico, principalmente quando unimos entretenimento com questões sociais e políticas. E acredite, é possível lidar com a questão de uma maneira mais leve, sem panfletagem a cada frase de efeito e manter a essência. Spike Lee consegue isso em Infiltrado na Klan, com ironia perspicaz.

Aqui vai três pontos em comum dos filmes “problemáticos” dessa lista. Um; todos eles utilizam do sentimentalismo para segurar o público. Dois; abordam em seus roteiros os anos 60, época da segregação racial nos Estados Unidos.  Três; a falsa alusão de que aqueles anos sombrios já passaram, de que a sociedade evoluiu, mas com um adendo: os negros são sempre subjugados. Sim, nessa década há dezenas de milhares de histórias que merecem ser contadas, mas houve mesmo uma evolução de como a sociedade enxerga o negro? E é somente esse gênero de narrativa que os negros devem contar nas telas?

The Help – Histórias Cruzadas

SINOPSE: Uma história fictícia que se passa no Estado do Mississipi, EUA nos anos 60, em plena segregação racial. A narrativa acompanha o personagem de Skeeter interpretada por Emma Stone (La La Land), que ao retornar à cidade natal se encontra no dilema, de se tornar uma escritora ou casar-se e cumprir as questões sociais da época. Na busca de fontes para escrever seu livro, ela começa a entrevistar as empregadas domésticas da cidade. A primeira, é a empregada que trabalha na casa de sua melhor amiga, Aibileen Clark vivida pela atriz Viola Davis (Um Limite Entre Nós). Com a ajuda de Aibileen, outras empregadas começam a contar suas histórias.

A ironia do nome do filme em inglês “The Help” em tradução literal “A Ajuda”, já é um indicativo de como se apresentará o roteiro. Para chamar a atenção do espectador usa da personagem Skeeter, uma jovem mulher branca que anseia em ser mais do que esposa. E é ela o ponto de apresentação das causas das mulheres negras, que vai do abuso às condições de trabalho ainda análogas à escravidão. Mesmo quando o filme traz as personagens negras narrando seus percalços há sempre um ponto de referência, em como Skeeter as ajudou se unir, a lutar pelos seus direitos. Nem todo roteiro precisa ser cheio de enigmas para ser bom, mas a representação da subserviência da mulher negra sem características com cenas pontuadas para fazer o público se emocionar, acentuando estereótipos e a falta de profundidade em tratar a causa racial que o longa-metragem se propõe a apresentar. Utilizando desse ponto para que uma pessoa que nunca vivenciou tais situações, possa se encontrar no mundo.

Hilly Holbrook (Bryce Dallas Howard) é uma personagem que se orgulha de ser racista, maltrata, humilha e faz questão de ser asquerosa sempre que tem uma oportunidade, ela inferniza a vida de sua empregada Minny, vivida pela atriz Octavia Spencer (vencedora do Oscar de atriz coadjuvante por este papel). Minny é um alívio cômico, os trejeitos, a voz, o sotaque, tudo nela faz você rir. Uma das cenas de humilhação mais marcantes do filme (a do banheiro) é protagonizada por ela e dá origem a uma vingança que apesar de merecida, transforma toda a degradação vivida pela personagem, em um momento de gargalhadas.

No final, o tema abordado é um “pano de fundo” para resolver a vida de Skeeter, que segue sua carreira e encontra um marido que aceite o seu trabalho. E é graças a uma personagem branca que Aibileen agora desempregada, vai ser feliz e Minny achou uma patroa boa. Essa descaracterização da força das mulheres negras e da dependência de uma pessoa branca, passam totalmente despercebidas pelo público, o texto é sutil em fazer isso. Viola Davis concedeu uma entrevista ao New York Times falando dos arrependimentos de sua carreira e cita os problemas da história contada no filme, do diretor Tate Taylor. Em um trecho ela pontua. “Eu só senti que no final das contas, não foi a voz das empregadas que foi ouvida. Eu conheço Aibileen [seu papel no filme]. Conheço Minny [Octavia Spencer]. Elas são minha avó e minha mãe. E eu sei que se você quer fazer um filme cuja premissa é entender como é trabalhar para pessoas brancas, e criar seus filhos em 1963, eu quero ouvir como você realmente se sente. E eu nunca ouvi isso no filme”. 

FICHA TÉCNICA

ANO DE LANÇAMENTO: 2012
GÊNERO: Drama
PAÍS: Estados Unidos
DIREÇÃO: Tate Taylor
ROTEIRO: Tate Taylor e Kathryn Stockett
ELENCO: Viola Davis, Octavia Spencer, Jessica Chastain, Emma Stone e Bryce Dallas Howard
ONDE VER: Telecine

The Butler – O Mordomo Da Casa Branca

SINOPSE: Baseado em fatos, o filme aborda a vida de Cecil Gaines que nasceu na época da escravidão e viu a destruição de sua família. E acompanha os anos de Cecil até a sua chegada como mordomo na Casa Branca.

Dirigido por Lee Daniel (que fez um excelente trabalho em Preciosa de 2009). Esse é mais um que tem pipocado nas listas sobre questões raciais. Mas, o roteiro que é uma verdadeira salada sem graça, “The Butler” quer abraçar toda a história americana em pouco mais de duas horas e acaba com um filme arrastado e um personagem apático. Cecil Ganies é interpretado por Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia) em uma atuação tediosa. A culpa aqui não é totalmente do ator, os problemas na direção e montagem não ajudam, a fotografia opaca durante todo o filme é melancólica, uma paleta de cores que parece só existir o marrom. Os primeiros 30 minutos de filme é um resumo do que ocorre com Cecil; da infância como escravo nos campos de algodão a vida adulta, casado com dois filhos trabalhando em um hotel como copeiro/garçom.

O problema da montagem reflete durante todo o filme, não há um conhecimento real desse homem. A visão que Cecil tem do mundo é melhor do que viveu na infância, mas não há uma evolução. Principalmente a sua relação com o filho mais velho, que vai ser usado como um artifício do roteiro para contar a história americana dos direitos civis. Louis Gaines é interpretado pelo ator David Oyelowo (Selma), e não há nada na relação de pai e filho que te empolgue. Louis é um verdadeiro faz tudo na luta dos direitos civis, da marcha em Selma com Martin L. King aos Panteras Negras. Para Cecil é imperdoável o envolvimento do filho nos movimentos e grupos que eram considerados terroristas pelo governo (veja que não mudou muito em cinquenta e poucos anos). Esse personagem que tenta mostrar em tela toda uma luta, acaba sendo superficial. E piora quando o texto faz um contraponto usando exatamente os presidentes americanos, homens brancos como detentores do progresso com promessas de igualdade e direitos para os negros na América. Cecil serviu sete presidentes americanos, de Eisenhower (Robin Williams), final dos anos 50 a Ronald Reagan (Alan Rickman) nos anos 80.

O retrato de alguma dessas relações, faz com que ele veja esses homens quase como ídolos. Kennedy em particular, em seu discurso de igualdade mostrado na TV ao seu assassinato, que representa a morte de um sonho de uma América unida. Mas, a canalhice fica para uma cena entre Cecil e Reagan no salão oval, após o presidente votar contra as sanções aprovadas pelo congresso, relacionado a África do Sul no sistema de violência do Apartheid na época. O personagem de Alan Rickman se vira para o mordomo e diz achar que “pode estar do lado errado da história”. Isso aqui não é um spoiler do filme, é a história vista de um olhar hipócrita. Reagan foi um dos presidentes que mais utilizou da narrativa de guerra contra as drogas para encarceramento em massa da população negra. Entre tantas bagunças, quando finalmente Cecil começa a perceber que tem sim o direito de ter um salário melhor, que o filho não era esse bandido que ele acreditava e que há esperança, mais uma vez o texto faz o pior possível. Utiliza da eleição de Barack Obama com uma tentativa de sentimentalismo, como se todo o pior tivesse ficado no passado. Um ponto surpreendente é a atuação de Oprah Winfrey como esposa de Cecil Gaines.

FICHA TÉCNICA

ANO DE LANÇAMENTO: 2013
GÊNERO: Drama
PAÍS: Estados Unidos
DIREÇÃO: Lee Daniels
ROTEIRO: Dany Strong, Will Haygood
ELENCO: Forest Whitaker, Mariah Carry, David Banner, Oprah Winfrey e David Oyelowo
ONDE VER: Apple TV

“Green Book” – Green Book: O Guia

SINOPSE: Um homem negro erudito conhecido internacionalmente nos anos 60, Dr. Don Shirley embarca em uma turnê pelo sul dos Estados Unidos e contrata um motorista e guarda-costas branco Tony Lip, canastrão e claro racista. Os dois desenvolvem uma ligação inesperada ao enfrentaram o racismo e os perigos em uma área de segregação racial.

Se Hollywood poderia ter melhorado nos anos após o “Oscar So White”, em 2018 mostrou que era seletiva ao premiar Green Book como melhor filme. Classificado como comédia dramática o filme é controverso do começo ao fim, se tratando da produção e próprio roteiro. O que salva? A fotografia e as interpretações de Mahershala Ali e Viggo Mortensen, que fazem um trabalho excelente. O longa-metragem supostamente é para contar a história de Don Shirley, mas serve de pretexto para mostrar Tony Lip como herói. Isso não é por acaso, Nick Vallelonga um dos roteiristas é filho de Tony Vallelonga, o personagem Tony Lip. A questão não é o parentesco, ou um filho querer homenagear o pai em filme, mas ao fazer isso ele reduz Don Shirley a um mero adereço em cena.

 A família do músico acusou a produção, de nunca terem sido informados a respeito do filme. Contestou também a suposta amizade apresentada entre os dois homens, dizendo que “nunca existiu uma relação próxima”, em uma entrevista concedida ao portal Shadow And Act. Toda essa polemica em torno da produção, não diminuiu a aceitação nas premiações e festivais que o longa foi apresentado. “Afinal, a desculpa é licença poética”. O filme foi descrito como tocante, respeitoso e leve por vários críticos na época do seu lançamento. Cenas como a de Tony questionando Don Shirley nos seus comportamentos, por não ser o que se espera de um homem negro, de como se portar e falar é no mínimo infame. Uma em particular, tira risos da plateia, quando Tony ensina o seu companheiro a comer frango frito com as mãos, seguido de dicas do que ouvir da música negra e destacando que Don não conhece as suas próprias raízes.

Resumindo, o filme todo é de um homem branco ensinando o negro a ser negro. Salvando-o da prisão e de situações constrangedoras, como uma abordagem da polícia. Com um final digno de tirar suspiros, e não no bom sentido dessa afirmação, Tony “aceita” Don e o convida para um convívio familiar. Green Book infelizmente é o típico filme que agrada o público, e principalmente os votantes da Academia do Oscar. A premiação poderia ter ficado sem essa mancha, já que nesse mesmo ano reconheceu filmes como Infiltrado na Klan, de Spike Lee, como melhor roteiro adaptado, Se a Rua Beale Falasse com Regina King, levando a estatueta de melhor atriz coadjuvante, e Pantera Negra que levou três Oscars, entre eles a de melhor figurino, sendo Ruth E, Carter a primeira mulher negra a vencer na categoria.

FICHA TÉCNICA

ANO DE LANÇAMENTO: 2018
GÊNERO: Drama/Comédia
PAÍS: Estados Unidos
DIREÇÃO: Peter Farrelly
ROTEIRO: Nick Vallelonga e Brian Hayes Currie
ELENCO: Mahershala Ali, Viggo Mortensen e Linda Cardellini
ONDE VER: Prime Video

Existem vários outros filmes duvidosos, mas para contrapor, aqui vai três produções que não podem faltar na sua lista de filmes, “que devem ser vistos”.

Branco Sai, Preto Fica

SINOPSE: Um baile de black music no final dos anos 80 é invadido pela polícia, o resultado é a história de dois homens que ficam marcados pelo acontecimento. E cabe a um homem do futuro ajudar na busca por justiça.

Branco sai, Preto fica é um filme inteligente em sua abordagem para contar uma história sobre a diferença na atuação da polícia nas comunidades. A frase que leva o título do longa-metragem, foi dita por um policial, ao invadirem a tiros um baile de black music no final dos anos 80 na periferia da Cidade de Ceilândia, DF e expõem a crueldade de uma sociedade racista. O roteiro é de Ardiley Queiroz, que transforma essa narrativa em algo criativo, além do obvio ao expor o resultado dessa ação na vida de dois homens. A direção também é dele, que mistura vários elementos como documentário e ficção, para construir uma crítica social tão atual, o filme foi lançado em 2014. Ao trazer um homem do futuro, de um Brasil que foi tomado por um governo opressor, para uma tentativa de justiça, e responsabilizar o Estado por suas ações criminosas em abordagens violentas da polícia, Queiroz ironicamente no passado descreve o Brasil de 2020. Um filme que deve ser visto, ainda que seu ritmo não agrade a todos. O filme brasileiro ganhou a mostra competitiva do Festival de Brasília do cinema Brasileiro.

FICHA TÉCNICA

ANO DE LANÇAMENTO: 2014
GÊNERO: Drama
PAÍS: Brasil
DIREÇÃO: Ardiley Queiroz
ROTEIRO: Ardiley Queiroz
ELENCO: Marquim do Tropa, Dilmar Durões e Shockito
ONDE VER: Netflix

Get Out – Corra!

SINOPSE: Um jovem fotografo que resolve viajar com sua namorada para conhecer os pais da moça. Tudo parece ocorrer bem até ele descobrir que nada é o que parece nessa família.

Este foi o primeiro longa-metragem do cineasta Jordan Peele, que também assina o roteiro e foi inspirado em um número de stand-up de Eddie Murphy. O filme de terror, consegue equilibrar a crítica social e a comédia sem se perder em si mesmo ou ficar auto expositivo ao apresentar as metáforas que são construídas cena após cena. Apresenta sutilmente a tensão logo nos primeiros minutos, que vai crescendo ao longo de cada episódio bizarro, com a ajuda da trilha sonora. Os diálogos irônicos, as excelentes interpretações do elenco, em especial de Daniel Kaluuya que interpreta o fotografo Chris e Catherine Keener no papel de Missy Armit a mãe da namorada, já faz o filme valer a pena. O elenco secundário também não deixa a desejar, a atriz Betty Gabriel que da vida a Georgina uma empregada negra da família, protagoniza uma das cenas mais agourentas com um olhar cheio de lágrimas, que termina com uma risada desdenhosa. Peele, conseguiu fazer um filme com características únicas, cheio de situações absurdas, mas que acontecem todos os dias.

FICHA TÉCNICA

ANO DE LANÇAMENTO: 2017
GÊNERO: Terror
PAÍS: Estados Unidos, Japão
DIREÇÃO: Jordan Peele
ROTEIRO: Jordan Peele
ELENCO: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Bradlay Whitford, Lil Rel Howery, Betty Gabriel e Catherine Keener
ONDE VER: Netflix

If Beale Street Could Talk – Se A Rua Beale Falasse

SINOPSE: Baseado no romance homônimo de James Baldwin publicado nos anos 70, a jovem Tish Rivers enfrenta momentos opostos em sua vida. A alegria da gravidez e a luta para livrar o seu marido de uma acusação criminal injusta, a tempo de tê-lo em casa para o nascimento da criança.

Se a rua Beale falasse com certeza é um dos filmes mais delicados e bem feitos dos últimos anos. Tudo nele se encaixa bem e de uma forma natural para contar a história de dois jovens românticos na luta para serem uma família. Tish tem 19 anos e é uma jovem tímida, com sonhos simples, mas uma mulher preta resistente e feroz. Vivida pela atriz Kiki Layne que brilha na tela e consegue transpor o olhar da inocência e do medo de uma maneira real. O filme vai acompanhar a luta dessa personagem e sua família para livrarem seu marido “Fonny” interpretado por Stephan James, de uma acusação brutal justo quando ela descobre estar gravida. A sequência de quando a garota conta a sua família sobre o seu estado, seguido do contraponto da reação absurda da mãe do jovem é tocante pelo texto e expõem a beleza e a crueldade do ser humano. Dirigido por Barry Jenkins, a experiência de acompanhar essa história é uma emersão de sentidos, a fotografia é maravilhosa com cores fortes nos momentos felizes em contraposição com preto e branco na narração. A trilha sonora não é um adorno de fundo, é quase como um corpo presente. Um elenco afiado, que contou com Regina King, premiada em 2019 como melhor atriz coadjuvante por sua atuação como Sharon Rivers, mãe de Tish na luta por justiça. Os dois seguem se apoiando no amor um do outro para lidar com a situação. O diálogo de Fonny e seu amigo Daniel é atemporal pelo texto de James Baldwin (dramaturgo e critico social), tão certeiro que poderia ter sido escrito em 2020, baseado no caso do jovem brasileiro Gabriel Santos em Salvador, ocorrido no mês de junho deste ano, que retrata uma realidade dolorida.

FICHA TÉCNICA

ANO DE LANÇAMENTO: 2018
GÊNERO: Drama/Romance
PAÍS: Estados Unidos
DIREÇÃO: Barry Jenkins
ROTEIRO: Barry Jenkins e James Baldwin
ELENCO: Kiki Layne, Stephan James, Regina King, Colman Domingo e Brian Tyree Henry
ONDE VER: disponível em DVD e Blue Ray

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