Missões na atualidade: perspectiva anglicana para os novos tempos

A linha mestra clássica para a esse carisma dentro da Espiritualidade Anglicana é a tríade: Escritura, tradição e razão (Foto: Reprodução)

Na atualidade, o cristão seja ele clérigo ou leigo, dentro da perspectiva eclesiológica anglicana, é chamado a viver a sua fé em Deus, e o seguimento de Jesus Cristo de forma missionária que ela inclui sempre mais no meio do mundo, sendo sal e luz (Cf. Mateus 5,13-14). Mundo este que não é o mundo idílico, perfeito, completo e reconciliado que parecem descrever muitos dos modernos discursos. Pensamos, em particular, nos marcados pelo otimismo dos progressos e conquistas da modernidade, assim como nos que se encontram atravessados de lado a lado pela interpelação legítima, mas nem sempre objetiva, da questão ecológica.

A inserção nas realidades temporais ou terrestres é específica para cada um e todos os batizados, podendo acontecer sob variadas formas mais ligadas a carismas pessoais. Ora, já desde os tempos neotestamentários, o cristão é uma pessoa que vive como o cavaleiro, entre tempo e eternidade; ou melhor, é alguém que experimenta, na sua carne e na sua vida, a eternidade que atravessa o tempo histórico e, por dentro, trabalha-o e configura-o. É ele, portanto, um vivente escatológico, ao mesmo tempo cidadão de um futuro absoluto e da cidade celeste, e, por isso, estrangeiro neste mundo, no qual sempre se encontra como que exilado e fora de lugar.

E, no entanto, experimenta assim o belo paradoxo de que esta terra, que não é a sua pátria definitiva, lhe é dada por Deus como dom e missão: como domínio a gerir, como obra a acabar, como plenitude a consumar. A espiritualidade que cabe, portanto, hoje mais que nunca, a todo cristão é uma espiritualidade de discernimento, ou seja, de busca da vontade de Deus no horizonte do seu plano de amor. Nessa busca, cada um e cada uma devem encontrar-se com as tentações e as ilusões próprias, das situações diferentes e variadas em que se vir colocado.

Mas a todos, será pedido que vislumbre e sinta, através de toda a floresta de diferentes espíritos que sopram, convidam e solicitam em todas as direções o sopro do verdadeiro Espírito divino, Espírito Santo único que santifica e conduz ao seguimento de Jesus Cristo e à vontade do Pai, desmascarando o mundo e as suas falácias e mostrando a verdadeira face do verdadeiro Deus.

Tríade Anglicana

A linha mestra clássica para a esse carisma dentro da Espiritualidade Anglicana é a tríade: Escritura, tradição e razão. Isso é para dizer que nosso método em ensinar doutrina, nosso enfoque para questões de autoridade, dentro da perspectiva anglicana, é para começar com a Escritura, então percorrer a tradição e finalmente terminar com o uso da razão para testar isso tudo. Essa tríade é um problema porque, entre outras coisas, isso assume que um questionamento paciente, orante e acadêmico irá produzir uma conclusão (ou resultado) clara e auto-suficiente que todos devem concordar.

Como nós sabemos de recentes controvérsias, isso não é sempre assim. Por outro lado, essa tríade se resguarda contra “só a Escritura” que poderia resultar em um puro fundamentalismo, contra “só a tradição” que poderia terminar em conservadorismo acrítico e contra “só a razão” que poderia produzir um racionalismo absoluto. Isso faz com que todos os três juntos sejam trazidos para uma tensão ou balança de tensão, enquanto se coloca ênfases em uma ordem à qual eles pertencem. Escritura primeiramente, como fonte básica da revelação cristã; em segundo lugar, tradição, como um desdobramento gradual da revelação escritural, e a razão, em terceiro, como o teste último de ambas as fontes e seu desenvolvimento. Essa tríade como enfoque ao Evangelho, nos provê uma forte ferramenta evangelística como um modo para entender a Fé Cristã.

Por isso, faz mais ou menos de 2.000 mil anos que o Mestre Jesus passou por aqui, nos ensinando e nos deixando seu legado… e NÓS ainda estamos em rota de aprendizagem, por causa de nossa natureza humana e frágil. Todavia, olhemos adiante buscando dias e tempos melhores de fato para a humanidade.

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